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PAPO DE ESPECIALISTA

Automedicação: A sua saúde em risco

O fácil acesso às informações médicas na internet configura um ambiente propício e de alto risco para que as pessoas se mediquem por conta própria.

Postado em 21/08/2021 às 10:23 |

(Foto: Mateus Trevine/Portal da Cidade Itatiba)

Automedicar-se é o ato de ingerir medicamentos para aliviar sintomas sem qualquer prescrição médica ou farmacêutica. Você muito provavelmente fez o uso de algum medicamento por iniciativa própria no último ano, sobretudo nestes tempos de pandemia.

A automedicação é um hábito que se tornou comum para cerca de 78% dos brasileiros de acordo com pesquisas realizadas pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF-2019) e Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ -2018). Atualmente somos o sétimo país que mais consome medicamentos no mundo e a previsão é que ocuparemos a quinta posição em 2023.

Com toda a certeza encontraremos uma caixa, gaveta ou maleta de remédios nos lares da maioria dos brasileiros. E quais os perigos desta automedicação?

Os medicamentos são uma das principais causas de intoxicação no país. A população precisa ser conscientizada dos riscos reais do uso indiscriminado de medicamentos, que podem causar reações graves, inclusive óbito.

Aquele analgésico, por exemplo, que você toma com frequência quando tem uma dor de cabeça, pode de fato estar mascarando uma doença mais grave.

O antibiótico que você usa sem critério está causando resistência de bactérias e poderá não fazer o efeito desejado no futuro, caso precise utilizá-lo novamente.

A combinação indevida de mais de um medicamento da sua “farmacinha caseira”, o risco do uso de medicamentos vencidos e o armazenado inadequado destes medicamentos podem trazer graves prejuízos à sua saúde. As interações entre dois medicamentos, por exemplo, podem potencializar ou até mesmo anular o efeito do outro.

A avaliação risco-benefício de um medicamento, a escolha da dosagem e o tempo de tratamento deve ser realizado por um profissional de saúde baseado em dados técnico-científicos e considerando a individualidade e características de cada paciente. Dessa forma, o medicamento usado por alguém do seu núcleo de relacionamentos não é necessariamente o mesmo que se aplicará a você. Atualmente, familiares, vizinhos e amigos configuram potenciais influenciadores para o uso indiscriminado de medicamentos sem a prescrição de um profissional habilitado para esta finalidade.

O fácil acesso às informações médicas na internet (sites, blogs e redes sociais) configura um ambiente propício e de alto risco para que as pessoas se mediquem por conta própria. Acrescenta-se a este cenário a dificuldade de acesso da população aos serviços de saúde e a maior disponibilidade de produtos no mercado, o que estimula o seu consumo.

Assim, fatores econômicos, políticos e culturais tem contribuído para o crescimento e a difusão da automedicação, tornando-a certamente um problema de Saúde Pública em nosso país.

Augusto Figueiredo é farmacêutico e especialista em processos éticos e regulatórios de medicamentos.

CRF-SP 27893 - LinkedIn

Augusto Figueiredo/ Farmacêutico

Automedicação

Os medicamentos são uma das principais causas de intoxicação no país. A população precisa ser conscientizada dos riscos reais do uso indiscriminado de medicamentos, que podem causar reações graves, inclusive óbito.

Augusto Figueiredo/ Farmacêutico

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